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O cache é um prefixo, não um conjunto de blocos
O erro conceitual mais caro é imaginar o cache como um dicionário que guarda pedaços do prompt e os reconhece onde quer que apareçam. Não é isso. O que fica em cache é o estado interno do modelo depois de processar uma sequência de tokens desde a posição zero. Isso significa que o acerto é sempre um prefixo contínuo: se os primeiros oito mil tokens são idênticos aos da chamada anterior e o token oito mil e um difere, você aproveita oito mil e paga integralmente por todo o resto. E significa também que colocar o bloco estável depois de um bloco variável não serve para nada, mesmo que aquele bloco estável tenha vinte mil tokens e nunca mude, porque a variação anterior já quebrou a cadeia.
Daí sai a única regra de ordenação que importa, e ela vale para qualquer provedor: ordene o prompt por frequência de mudança, do mais estável para o mais volátil. Instruções do sistema e definição de ferramentas primeiro, porque mudam em deploy. Contexto de domínio compartilhado depois, porque muda em dias. Dados do cliente em seguida, porque mudam por conversa. Histórico de mensagens e a pergunta do turno atual por último, porque mudam a cada requisição. Essa ordem não é estética, ela é literalmente a diferença entre pagar o prefixo uma vez por dia e pagar a cada chamada.
Ordem que aproveita o cache Ordem que destrói o cache
[ instrucoes do sistema ] estavel [ timestamp da chamada ] muda sempre
[ definicao de tools ] estavel [ instrucoes do sistema ] estavel
[ contexto de dominio ] dias [ definicao de tools ] estavel
[ perfil do cliente ] conversa [ contexto de dominio ] dias
--------- ponto de cache --------- [ perfil do cliente ] conversa
[ historico de mensagens ] turno [ historico de mensagens ] turno
[ pergunta do turno ] turno [ pergunta do turno ] turno
acerto: tudo antes do marcador acerto: zero
(o primeiro token ja difere)Vale notar a assimetria de preço que torna essa decisão interessante. Escrever no cache custa mais do que processar o token normalmente, tipicamente algo em torno de vinte e cinco por cento a mais. Ler do cache custa uma fração pequena do preço normal, na ordem de um décimo. Isso quer dizer que o cache não é gratuito: um prefixo escrito e nunca reaproveitado é prejuízo direto. O ponto de equilíbrio aparece por volta da segunda leitura, e é por isso que a pergunta operacional não é "vale a pena cachear?", é "quantas leituras eu consigo antes de o prefixo expirar?".