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Trocar de agente não é trocar de prompt
A arquitetura mais comum de multiagente em atendimento nasce de uma simplificação razoável: como o modelo é o mesmo e a diferença entre os agentes é a instrução, roteia-se trocando o prompt do sistema e mantendo o mesmo histórico de mensagens. Funciona por algumas semanas e depois começa a produzir dois sintomas opostos. Ou o segundo agente ignora o que já foi apurado e recomeça, ou herda tanto contexto do primeiro que continua se comportando como ele, respondendo sobre cobrança com o tom e as regras do suporte técnico.
Os dois sintomas têm a mesma origem. O histórico de mensagens carrega três informações misturadas que precisariam ser tratadas separadamente na transferência. A primeira é o que o cliente disse, que é fato e quase sempre deve seguir adiante. A segunda é o que o agente anterior concluiu, que é interpretação e precisa seguir marcada como tal, com quem concluiu e com que confiança. A terceira é o que o agente anterior prometeu ou executou, que é compromisso e não pode ser silenciosamente descartado, porque o cliente já ouviu. Passar o histórico bruto entrega as três com o mesmo peso. Passar só um resumo geralmente preserva a primeira, degrada a segunda e perde a terceira, que é justamente a que gera reclamação.
| O que atravessa a fronteira | Natureza | O que acontece se some | Como deve viajar |
|---|---|---|---|
| Falas do cliente | Fato | O cliente repete tudo e percebe a transferência | Últimos turnos literais mais resumo do anterior |
| Dados já coletados | Fato verificado | O agente novo pede o CPF outra vez | Campos tipados com origem e momento da coleta |
| Conclusões do agente anterior | Interpretação | Perde-se o diagnóstico e o trabalho recomeça | Campo marcado como hipótese, com autor e confiança |
| Promessas feitas ao cliente | Compromisso | O novo agente contradiz o anterior na frente do cliente | Lista explícita, sempre injetada, nunca resumida |
| Ações já executadas | Efeito colateral | A ação é repetida, com estorno ou pedido duplicado | Registro idempotente consultável pelo agente novo |
| Autoridade e limites | Permissão | O agente novo herda poder que não deveria ter | Derivada do agente de destino, nunca herdada |
A última linha é a que mais surpreende quem implementa. Se a transferência copia o contexto inteiro, ela tende a copiar junto as ferramentas disponíveis e as permissões concedidas. Um agente de suporte que ganhou autorização para emitir segunda via não deveria transferir essa autorização junto com a conversa para o agente de retenção, que talvez possa conceder desconto. Autoridade é atributo do agente de destino, calculada no momento da entrada, e não algo que viaja no pacote.