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Por que um modelo só é a decisão mais cara
A intuição de padronizar tudo num modelo forte parece simplicidade, mas é a decisão que mais infla a fatura de um sistema com LLM. A maioria das requisições de um produto real não é raciocínio complexo: é classificação de intenção, extração de campo, reformulação de texto, resposta curta de FAQ, roteamento de fila. Essas tarefas são resolvidas com folga por um modelo pequeno e barato, e mandá-las para o modelo topo de linha é pagar preço de raciocínio profundo por trabalho de rotina. O inverso também custa caro: padronizar tudo no modelo barato entrega resposta pobre nas poucas tarefas que exigem raciocínio, e o custo aparece disfarçado de retrabalho, de reclamação e de tarefa refeita à mão.
O ponto central é que a distribuição de dificuldade das requisições é desigual: um punhado de tarefas difíceis e uma multidão de tarefas triviais. A tabela abaixo mostra por que a escolha de um modelo único, seja ele forte ou fraco, deixa dinheiro ou qualidade na mesa.
| Estratégia | Custo | Qualidade nas tarefas difíceis |
|---|---|---|
| Tudo no modelo forte | Alto: paga topo até no trivial | Ótima, mas cara demais para a maioria |
| Tudo no modelo barato | Baixo, mas com retrabalho escondido | Ruim: falha onde precisa de raciocínio |
| Roteamento por tarefa | Baixo no trivial, alto só onde precisa | Boa: difícil vai para o modelo forte |
O roteamento não é sobre usar o modelo mais barato sempre, é sobre usar o modelo mais barato que ainda resolve aquela tarefa. Quando a maioria das requisições é trivial, mover essa maioria para um modelo dez vezes mais barato corta a fatura de forma expressiva, enquanto as poucas tarefas difíceis continuam recebendo o modelo forte. O ganho vem da distribuição: você não baixa a qualidade média, você para de pagar preço de raciocínio por trabalho de rotina.